Um médium não pode receber nenhuma recompensa material por seu trabalho mediúnico, isso é patente desde nossas primeiras aulas, desde a palestra inicial antes do ingresso na Doutrina. Porém o tema sobre “dinheiro e doações” é bem mais profundo!
Podemos receber doações para o Templo?
Podemos aceitar benefícios, que parecem ser necessários, para a ampliação da obra e conjunto doutrinário?
Como arrecadar fundos para manutenção e ampliação da missão?
Como agir quando é necessário realizar pagamentos de água, luz, pedreiros, equipamentos, adornos, etc.?
Vamos partir do princípio... Para tecer qualquer comentário sobre este delicado tema, nosso norte será sempre Tia Neiva. Sua jornada no início da missão. Creio que nenhum de nós poderá se considerar melhor que ela, para querer agir diferente, e ambicionar mais do que ela projetava, como clarividente recebendo orientações diretamente de Pai Seta Branca.
Como todos devem saber, sua jornada foi bem difícil. O início em total pobreza na Serra do Ouro, o recomeço em Taguatinga, e um novo começo no Vale do Amanhecer, onde teve que abrir mão do pouco de comodidade que havia conquistado em Taguatinga, para recomeçar em um lugar, sem luz, sem água encanada, sem sequer televisão para as crianças que lhe acompanhavam no orfanato. Assumindo assim, até mesmo a missão de entreter as crianças com suas histórias e o violão.
Tia Neiva não construiu toda a obra do Vale do Amanhecer com doações de pacientes maravilhados com sua clarividência! Construiu com o suor de todos! De cada médium que a acompanhou naquele início de jornada. Cada passo de ampliação, somente foi dado por real necessidade! O templo só foi recebendo ampliações de acordo com a necessidade de acomodar os pacientes que se amontoavam, e o corpo mediúnico que não parava de crescer.
Nunca deu passos largos por vaidade, ou para mostrar a quem quer que seja que tinha como construir um grande templo. Certa vez, passando por uma banca de loterias, comprou um bilhete. Era um momento difícil, em que realmente precisavam do dinheiro, já havia compromissos acumulados a serem saldados. Passado o dia do sorteio, novamente passou pela banca, viu o resultado e sorriu... Rasgou o bilhete em pequenos pedaços e foi largando aos pouquinhos... Seu Mário (Trino Tumuchy, Mestre Mário Sassi) perguntou o quê passava? E ela disse:
- O bilhete estava premiado, deu no primeiro prêmio.
Ele imediatamente buscou se poderia recuperar os pedaços do bilhete, já bravo e perguntando:
- Mas Neiva, por quê? Precisamos do dinheiro!!!
E Ela disse:
- Quando escolhi o bilhete, eu usei minha mediunidade, não poderia ficar com este prêmio. Pai Seta Branca disse que, o quê precisarmos de verdade, teremos.
Creio que com este reduzidíssimo relato, já podemos ter uma idéia de até onde implica este “receber pagamento” pela mediunidade!
Sim meus irmãos! Não podemos aceitar nada de ninguém, nem dinheiro, nem nada. E nem sob qualquer justificativa, ou pretexto. Nada é nada mesmo! Paciente não pode doar nada!!!
Somente quem pode contribuir para esta obra somos nós mesmos! Somente um médium iniciado na Doutrina é que pode contribuir com alguma coisa, ou de alguma forma para a manutenção ou ampliação da missão.
As despesas de um templo, água, luz, velas, etc., devem ser mantidas pelos médiuns que se disporem espontaneamente para fazer isso. Não podem ser cobrados! Os serviços de limpeza, manutenções, etc., devem ser executados preferencialmente por médiuns que se disponham a fazê-lo. Sua doação de trabalho também deve ser espontânea, embora possam, e até devam, ser incentivados a tomar a iniciativa.
Em um texto anterior falamos de proselitismo, ou seja, compreendemos que no Vale não há nenhum tipo de convite público, programa de rádio e tv, e formas de divulgação da doutrina, “chamando pacientes”. Os pacientes chegam por atração magnética, se um templo tem energia disponível, naturalmente atrai pacientes... As entidades se encarregam de se movimentar para encaminhá-los. Esta é a melhor maneira de avaliar a real necessidade de ampliar um templo. Somente ampliamos para acomodar melhor os pacientes e médiuns. O corpo mediúnico cresceu, a quantidade de pacientes aumentou, então sim é hora de construir, de buscar um lugar maior.... Assim fazia Tia Neiva.
Nada de querer construir desnecessários grandiosos templos quando se quer tem um corpo mediúnico em condições de emanar o local!!! Templos enormes com corpo mediúnico pequeno é um sinal perigoso que deve ser criteriosamente avaliado. Algo aconteceu de errado nesta jornada!
Quando a realidade mostra a necessidade se investir no templo e o corpo mediúnico não tem como suportar as despesas, é hora de gerar a vibração de união, necessária para a realização de eventos, que possam arrecadar o esperado suporte financeiro. Bingos, jantares, apresentações, formas simples em que se podem convidar famílias, em um ambiente realmente familiar, para poder oferecer algo que não provem de sua mediunidade. Assim se pode arrecadar o necessário. E podem ter certeza... no devido tempo! Nestes eventos, em que oferecemos coisas materiais, os pacientes podem ser convidados, familiares que não são da doutrina, vizinhos do templo ou de sua casa, enfim gerar uma vibração de união entre todos os membros do corpo mediúnico, para ofertar, também com amor, um evento físico, que terá uma resposta material financeira.
Assim também Tia fazia e nos ensinou.
Ainda há um ponto mais delicado que outros: Mesmo considerando que nós, somente nós médiuns iniciados, é que somos responsáveis por qualquer despesa do templo, não se pode explorar a ninguém. Não se pode explorar, pedindo a algum médium qualquer coisa, ou quantia, que comprometa sua situação financeira familiar.
E mais... Não se pode sequer explorar no valor de nossos símbolos doutrinários!!! Isso sim é muito sério!!!
As fitas, coletes, plaquinhas, uniformes, indumentárias e adornos, têm um custo. Neste custo agrega-se um valor necessário para as despesas naturalmente importantes no funcionamento do templo, e um pouquinho mais para poder atender àqueles que chegam sem condição nenhuma de poder comprar. Quando fui emplacar eu não tinha a menor possibilidade de comprar nada. Nem chinelo eu tinha...rsrsr Seu João, do Salão de Costura me deu o jaleco e calça. Tio Raul pediu ao Carmênio para me dar a plaquinha. Quando senti que deveria ser Mago, Tia Lucia me deu a indumentária e Tia Déra o Radar. Ao iniciar, novamente recebi do Tio Raul, agora o colete. E daí em diante, já fui tendo condições de comprar minhas próprias armas e auxiliar a outros que chegaram depois de mim.
Tirando este pequeno valor agregado, nada mais deve ser cobrado. Nossos símbolos doutrinários e armas, devem ser pagos sim! Mas jamais a custa da exploração de jaguares, que na sua maioria, escolheram uma encarnação humilde. Nossos artigos doutrinários não são realizar grandes negócios com lucros de 500% acima do custo.
Também os materiais de estudo, livros e compilações.
Reescrevo aqui as palavras do Trino Tumuchy, mestre Mário Sassi, do Evangelho do Jaguar(5 - JESUS PURIFICA O TEMPLO -2; 13-25):
“Essa experiência deve ser cuidadosamente observada pelos Presidentes dos Templos do Amanhecer, evitando as contribuições compulsórias de dinheiro, para manutenção das instalações, pois isso está fora das Leis do Amanhecer.
Nossa obrigação é com a Espiritualidade Maior, e não com a arrecadação de bens materiais.
É certo que existem problemas a serem resolvidos no plano material, tais como limpeza, contas de luz e de água, etc. Mas têm que ser equacionados de forma espontânea, com a participação de quem puder, com o que puder.
No momento em que se fizerem taxas e cobranças sem considerar as condições de cada componente, entra-se num perigoso desvio, cujas conseqüências podem ser terríveis para os dirigentes.
Deve ser evitada a exploração na revenda de material doutrinário, com os preços sendo duplicados para o fornecimento de fitas, coletes e outros artigos. Tem que haver critério e um mínimo de repasse dos custos, buscando-se auxiliar àqueles que, na maioria dos casos, se sacrificam para poder manter em ordem suas indumentárias.
Na Doutrina do Amanhecer não há como conseguir nada com ouro – nem perdão, nem ajuda, nem uma simples bênção. Ilusão, sim!”
Mais abaixo está o texto completo.
Sei que muitos, por total inexperiência, ou mesmo pelo desejo de ver a Doutrina se expandir, e crescer “como rama selvagem”, acabam se comprometendo financeiramente além de suas posses, sonham com grandes templos, com tudo organizado e bonito... Mas lembremos do início da jornada de nossa Mãe Clarividente! De suas dificuldades, e principalmente de sua integridade em manter o compromisso espiritual afastado das questões materiais. Se Tia desejasse realizar toda a obra do Vale e muito mais, em menos de um ano, assim teria feito! Eram muitos políticos, milionários, pessoas que desejam ajudar e retribuir as bênçãos da qual ela foi instrumento em suas vidas. No entanto as telhas foram compradas uma a uma, com o nome das pessoas pintado para fazer bem àqueles que sentiram que deviam, e podiam, contribuir. As pedras do templo foram carregadas por braços cansados da lida diária e cuja única contribuição possível, nesta grandiosa obra, era justamente a força física, pois no bolso nada sobrava.
Como afirmei acima, Nossa Doutrina é regida pela atração magnética, e cada espaço, cada tijolo do templo, der ter a emanação de seu povo!
É possível sentir a diferença quando se ingressa em um pequeno templo repleto de médiuns e em um grande templo vazio... A emanação presente, ou sua ausência é claramente sentida!
Kazagrande
5 - JESUS PURIFICA O TEMPLO (Ev. João 2; 13-25) (Retirado do “O Evangelho do Jaguar” – Trino Tumuchy – Mestre Mário Sassi)
Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou a todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, e derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas:
- Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio. Lembraram-se os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá!
Perguntaram-lhe, pois, os judeus:
- Que sinal nos mostras para fazeres estas coisas?
Jesus lhes respondeu:
- Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei!
Replicaram os judeus:
- Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário e tu, em três dias, o levantarás?
Ele porém se referia ao santuário do seu corpo. Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus.
Estando ele em Jerusalém, durante a festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome. Mas o próprio Jesus não se confiava a eles porque os conhecia a todos. E não precisava que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.
A ambição tem levado os espíritos a tenebrosos abismos e conduzido seitas e religiões para sendas do obscurantismo. Todas as formas de exploração conduzem ao desastre. Quando uma corrente espiritual se envolve com problemas materiais, principalmente dinheiro, começa a declinar e a perder suas ligações com os planos espirituais. Tem sido assim com grandes organizações religiosas.
Voltamos a Francisco de Assis, na sua simplicidade, pregando a renúncia aos bens materiais, não se deixando vencer pelo ouro e pela pompa do Vaticano, despertando no Papa os valores adormecidos ou esquecidos da Igreja de Jesus. A ganância destruiu imensas concentrações de devotos, e não há como conciliar o poder espiritual com o poder financeiro.
Essa experiência deve ser cuidadosamente observada pelos Presidentes dos Templos do Amanhecer, evitando as contribuições compulsórias de dinheiro, para manutenção das instalações, pois isso está fora das Leis do Amanhecer.
Nossa obrigação é com a Espiritualidade Maior, e não com a arrecadação de bens materiais. É certo que existem problemas a serem resolvidos no plano material, tais como limpeza, contas de luz e de água, etc. Mas têm que ser equacionados de forma espontânea, com a participação de quem puder, com o quê puder.
No momento em que se fizerem taxas e cobranças sem considerar as condições de cada componente, entra-se num perigoso desvio, cujas conseqüências podem ser terríveis para os dirigentes.
Deve ser evitada a exploração na revenda de material doutrinário, com os preços sendo duplicados para o fornecimento de fitas, coletes e outros artigos. Tem que haver critério e um mínimo de repasse dos custos, buscando-se auxiliar àqueles que, na maioria dos casos, se sacrificam para poder manter em ordem suas indumentárias.
Na Doutrina do Amanhecer não há como conseguir nada com ouro – nem perdão, nem ajuda, nem uma simples bênção. Ilusão, sim.
Mas pobre daquele que se deixar levar pela ambição e transformar seu Templo em uma empresa.
Não terá descanso, não terá harmonia nem equilíbrio, porque, mesmo que não perceba, Pai Seta Branca, embora lhe dando preciosas oportunidades de rever seu comportamento, estará providenciando sua expulsão, tal como Jesus o fez no templo de Jerusalém.
O Templo do Amanhecer é uma casa de Deus, o Jaguar é parte da Igreja de Jesus, e, por isso, “não façais da casa de meu Pai casa de negócios”! João ainda nos fala que Jesus conhecia os homens e o que era a natureza humana, e isso era verdade, porque Ele possuía grandes poderes, base dos extraordinários fenômenos que maravilharam o povo de Jerusalém, e, por sua natureza celestial, podia ver o que se passava no íntimo de cada um. Por isso, não confiava nos homens. Sabia que aqueles espíritos encarnados, ainda a meio de suas evoluções, seriam, em sua maioria, cegos, surdos e incompreendidos para toda a Luz que Jesus vinha trazer.
Aquela humanidade se prendia a preconceitos, julgamentos e sentimentos materiais, esquecida de sua essência espiritual e, dessa forma, resistiria aos ensinamentos do Mestre.
Na Cachoeira do Jaguar (Texto base)
Pai Juvêncio e Zefa eram os únicos que tinham coragem de ir até um lugarejo por nome Abóbora.
Certa vez, chegando na entrada da cidadezinha, encontraram uma menina, meio desacordada, nos braços da mãe.
Pai Juvêncio chamou Zefa e cochicharam nos ouvidos da menina e a benzeram, retirando aquele espírito, e a menina ficou boa. Tânia, a mãe da menina, deu algumas frutas como pagamento da cura, pedindo desculpas por não ter mais nada.
Pai Juvêncio e Zefa comeram as frutas, trataram de negócios em Abóbora, e voltaram para a fazenda. Felizes, chegaram em casa, mas, ao atravessar a soleira da sua porta, suas barrigas começaram a doer, a doer tanto que chamaram Vovó Cambina da Bahia. Mas nada fazia passar aquela dor. Uma porção de conjecturas: seria veneno? As disenteria pioravam e as dores aumentavam.
- Pobrezinhos - dizia Pai João. Resolveram tantas coisas boas para nós! Deve ser alguma provação, Deus testando seus corações...
Todos já estavam ao redor da fogueira, aguardando que melhorassem, quando Jurema, que estava ao lado de Pai Zé Pedro, se levantou bruscamente. Apontando para os dois, que estavam abaixadinhos na roda da fogueira, gemendo de dor, disse:
- Eles comeram prenda ganha pela sua caridade! Pena Branca não quer que a gente ganhe nada em troca do que se faz na Doutrina. Vovô Agripino lhes disse que a gente só aprende com o espinho fincando na carne. É, Pai João, todos nós temos um espinho na carne!...
- Oh, meu Deus! - gritaram os dois em uma só voz - Sim, estamos conscientes!
Vovó Cambina já estava chegando com uma cuia de chá. Eles tomaram e contaram o que havia se passado em Abóbora. Todos abraçaram os dois por sua ação, mas entenderam a lição: Juvêncio e Zefa haviam comido prenda pela caridade que fizeram... Sim, receberam pagamento e Pena Branca não gosta nem de presentes e nem que se cobre pela caridade que se faz! Zefa e Juvêncio passaram mais três dias com dor de barriga. Tudo foi alegre, e passou. Eufrásio, que agora era conselheiro do grupo, achou muito importantes dois fatos: primeiro, Pena Branca não aceitar pagamento pelo trabalho mediúnico e, segundo, a denúncia de Jurema que, em sua clarividência, viu o que se passou. O pobre casal fora lesado por suas mentes preguiçosas.
Tia Neiva em 7 de março de 1980